O processo por erro médico é uma ação judicial que trata de situações em que uma falha na conduta de profissionais de saúde resulta em danos ao paciente.
Neste artigo, você encontrará informações gerais sobre como essas ações são conduzidas, incluindo os tipos de indenização possíveis, prazos legais, documentação geralmente necessária e o papel da perícia médica.
O objetivo é apresentar os principais aspectos relacionados a processos por erro médico no Brasil, ajudando a compreender melhor esse tema complexo. Confira, a seguir:
Continue a leitura deste artigo e entenda melhor como funciona um processo por erro médico e quais são seus direitos.

Antes de mais nada, é essencial compreender que o erro médico se caracteriza por uma falha na conduta do profissional de saúde, que pode ocorrer por negligência, imperícia ou imprudência, e que resulte em prejuízo à saúde física ou psicológica do paciente.
Em um processo por erro médico, a documentação relacionada ao atendimento pode ser importante para que o caso seja analisado pelo Judiciário.
Isso inclui fotos, exames, laudos e um relato pessoal com todos os detalhes do ocorrido, assim como todos os demais documentos que puder ter a fim de comprovar que houve uma conduta médica inadequada.
Esses registros ajudam a esclarecer se houve conduta médica inadequada, independentemente da gravidade do incidente - seja um erro médico grave ou mais simples -, o importante é que o dano seja comprovado.
Ou seja, é importante que a experiência da vítima de erro médico seja devidamente registrada e documentada. Relatos detalhados sobre o que ocorreu ao longo do período em que houve o dano ajudam a esclarecer os fatos e fornecem informações relevantes para a análise do processo por erro médico.
Em situações que envolvem hospitais, a responsabilidade da instituição também pode ser considerada pelo tribunal. O acompanhamento por profissionais qualificados em Direito da Saúde contribui para o correto andamento das etapas do processo.
Para formalizar o processo por erro médico, o advogado deve orientar a vítima na organização dos documentos necessários, tais como:
Com seu relato detalhado sobre o caso e os documentos que possam provar o dano sofrido, você e o advogado especialista em erro médico poderão iniciar um processo por erro médico com pedido de indenização.
O valor da indenização por erro médico é determinado pelo juiz, levando em consideração a extensão dos danos sofridos e a repercussão do caso na vida da vítima de erro médico.
Cada processo é analisado individualmente, e diferentes tipos de prejuízos podem ser considerados para definir o valor da indenização, como:
Importante: cada tipo de dano é examinado individualmente, considerando os efeitos do erro médico na vida pessoal, profissional e social da vítima, sem que haja um parâmetro fixo de indenização.
Existem casos conhecidos como causas ganhas por erro médico, nos quais o Judiciário reconheceu diferentes tipos de reparação, como danos morais e materiais, dentro da mesma ação.
Em processos por erro médico, a atuação de um advogado especialista em erro médico é relevante para a correta análise de documentação, compreensão das etapas do processo e estudo de decisões anteriores.
No entanto, é importante ressaltar que cada caso é avaliado individualmente, considerando fatores como a extensão dos prejuízos, impactos na vida pessoal e social da vítima de erro médico, e provas apresentadas.
Muitas pessoas buscam saber qual o valor médio em um processo por erro médico. No entanto, não há um parâmetro fixo.
Cada caso é único, e os tribunais consideram os elementos individuais antes de estabelecer o valor da indenização.
Para avaliar corretamente o caso, é recomendável buscaro orientação jurídica especializada, que poderá também consultar jurisprudências de ações semelhantes, incluindo processos por erro odontológico ou erro médico em cirurgia plástica, por exemplo.
Mas, de forma geral, esses são os fatores considerados pelo juiz para definir a indenização:
Erro médico já é uma das maiores causas de morte no Brasil. Uma pesquisa do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mostrou que há quase 55 mil mortes todos os anos no país relacionadas a erro médico.
Por isso, infelizmente, o número de ações judiciais relacionadas a erro médico no Brasil vem crescendo. Somente em 2024, o país registrou um aumento de 506% nos processos por erro médico, com 74.358 ações judiciais no ano.
Os dados são do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e referem-se aos casos de danos morais e/ou materiais decorrentes da prestação de serviços de saúde, termo que substitui a categoria erro médico na Justiça.

A comprovação de um erro médico depende de análise detalhada de documentos e registros relacionados ao atendimento.
Em muitos casos, a documentação auxilia na investigação do juiz sobre o erro médico, mas pode não ser suficiente.
Nestas situações, é importante que seja feita uma perícia médica durante o processo de erro médico, onde o caso será novamente avaliado por um profissional habilitado pelo Poder Judiciário.
A perícia pode ocorrer de duas formas:
A perícia médica é uma etapa fundamental em um processo por erro médico, pois é por meio dela que se busca comprovar a existência de falha na conduta do profissional ou da instituição de saúde.
O perito nomeado pelo juiz analisa todos os documentos e informações constantes na ação judicial e, com base nesse material, elabora um laudo técnico.
Esse laudo pericial é essencial para determinar se houve ou não erro médico, sendo um dos principais elementos de prova no processo contra erro médico.
A partir desse parecer, o juiz poderá avaliar com mais precisão o caso e, então, proferir sentença, reconhecendo ou não o direito do paciente à indenização por erro médico.

Nos processos por erro médico, existem diferentes tipos de ações judiciais que podem ser utilizadas, dependendo das circunstâncias do caso e do objetivo da reparação.
Em geral, uma das etapas possíveis é a produção antecipada de provas, que permite a obtenção de laudos técnicos antes do andamento principal da ação. Outra forma é a avaliação durante o processo judicial, quando o perito nomeado pelo tribunal analisa a documentação e os fatos apresentados.
Além de médicos e hospitais, dentistas também podem responder em casos de erro odontológico, que seguem parâmetros semelhantes aos processos por erro médico, incluindo responsabilidade civil e possibilidade de reparação por danos estéticos ou funcionais.
Para aqueles que desejam entender um pouco mais sobre como provar o erro médico, preparamos um artigo sobre produção antecipada de provas. Clique aqui e leia o artigo que preparamos sobre: Como descobrir se houve erro médico?
Uma dúvida frequente é: quanto tempo para processar por erro médico? Em média, um processo pode levar de três a cinco anos, dependendo da complexidade do caso, da necessidade de perícia e dos recursos judiciais.
Isto porque as partes costumam ter prazos longos para manifestação, enquanto que o fórum não possui prazo para dar andamento ao processo. Tudo isso pode interferir no tempo total de duração de sua ação judicial.
Por isso, é importante observar o prazo para processar por erro médico, que geralmente segue o prazo de prescrição de cinco anos. Esse prazo vale também para processar hospital por erro médico ou processar dentista por erro.
Nem todo erro médico é um crime, pois uma eventual desatenção que cause um dano ao paciente não obrigatoriamente será crime.
Em determinadas situações, o erro médico pode caracterizar crime, como lesão corporal culposa ou homicídio culposo, dependendo das circunstâncias e da gravidade do dano.
Em casos que envolvem erro médico em cirurgias plásticas ou procedimentos complexos, o Judiciário e os órgãos de fiscalização, como o Conselho Regional de Medicina (CRM), analisam a situação de acordo com a legislação aplicável, avaliando se há infração penal ou responsabilidade civil.
Advogados especializados em erro médico possuem conhecimento técnico e jurídico para atuar em processos dessa natureza.
Esses profissionais podem auxiliar na compreensão das etapas do processo, no estudo da documentação e na análise de decisões anteriores em casos semelhantes, ajudando a esclarecer como o Judiciário avalia ações por erro médico.
Processos por erro médico, erro odontológico e negligência hospitalar envolvem questões técnicas da medicina, perícia judicial e interpretação de laudos.
Advogados especializados em erro médico possuem conhecimento sobre os procedimentos legais e a jurisprudência aplicável, o que contribui para a compreensão das etapas do processo e das decisões do Judiciário.
Em São Paulo, processos por erro médico seguem procedimentos judiciais semelhantes aos de outras regiões, mas com particularidades locais no funcionamento do Judiciário.
Profissionais especializados nesse tipo de ação possuem conhecimento em responsabilidade civil médica, perícia judicial e produção antecipada de provas, além de experiência em decisões relacionadas a casos estéticos, odontológicos ou hospitalares. Esse conhecimento auxilia na compreensão das etapas do processo e das práticas adotadas pela Justiça paulista.
Em casos envolvendo erro médico, a atuação de profissionais especializados abrange diversas etapas do processo judicial. Advogados com experiência nessa área analisam documentos, relatórios médicos e perícias, além de estudar decisões anteriores de tribunais para compreender como a Justiça avalia diferentes tipos de dano, seja moral, material ou estético.
Esses profissionais também estão familiarizados com instrumentos legais como a produção antecipada de provas e a interpretação de laudos técnicos, o que contribui para a compreensão das fases do processo e das práticas adotadas pelo Judiciário.
A análise de jurisprudência de casos semelhantes, incluindo processos por erro odontológico ou em cirurgias estéticas, permite uma visão mais ampla sobre como diferentes situações são tratadas na Justiça, auxiliando na compreensão do trâmite e dos critérios considerados para indenizações.
Processos relacionados a erro médico no SUS têm se tornado mais frequentes no Brasil, refletindo questões de responsabilidade civil e danos decorrentes da prestação de serviços de saúde.
Esses casos envolvem análise de documentos, perícias médicas e interpretação de laudos, além do estudo de decisões judiciais anteriores, contribuindo para compreender como a Justiça trata situações de erro médico em instituições públicas.
Sim, tem sido cada vez mais comum que pacientes ingressem na Justiça relatando ter descoberto que havia um corpo estranho esquecido em seu corpo, semanas, meses ou até anos após a cirurgia.
Já houve ações movidas porque o médico esqueceu gaze, material cirúrgico, agulha, dreno, etc.
Infelizmente esquecer corpo estranho no paciente é causa comum de erro e negligência médica.
Nunca se pode afirmar que se trata de “causa ganha”. E, para saber as reais possibilidades de sucesso de sua ação, é recomendável conversar com um advogado especialista em Direito à Saúde para avaliar todas as particularidades do seu caso. Isto porque há diversas variáveis que podem influir no resultado da ação, por isso, é necessário uma análise profissional e cuidadosa.
O fato de existirem decisões favoráveis em ações semelhantes mostra que há precedentes, mas apenas a análise concreta do seu caso por um advogado pode revelar as chances de seu processo.
Para compreender melhor como funciona um processo por erro médico, incluindo prazos legais, tipos de indenização e etapas do procedimento, é recomendável buscar orientação jurídica de profissionais especializados em erro médico e responsabilidade civil. O conhecimento sobre essas questões ajuda a esclarecer o trâmite do processo e os fatores analisados pelo Judiciário.
O custo pode variar bastante: os principais gastos incluem honorários do advogado, custas judiciais e honorários periciais. Em muitos casos, é possível pedir justiça gratuita, desde que comprovada a insuficiência de renda.
O valor dos honorários de advogados que atuam em processos por erro médico pode variar bastante, dependendo da complexidade do caso, da região e da forma de atuação do profissional.
Existem diferentes modelos de cobrança, como honorários fixos, percentuais sobre indenização ou híbridos. Não há um padrão definido, e cada situação é analisada individualmente.
Na maioria dos casos, sim. O valor da perícia varia de acordo com o tribunal e a complexidade do caso. Entretanto, se o juiz conceder justiça gratuita, é possível que o Estado arque com esses custos.
Em processos relacionados a erro médico, alguns custos, como despesas com perícia, consultas médicas e tratamentos adicionais, podem ser considerados durante a análise judicial.
Cada caso é avaliado individualmente pelo Judiciário, e a inclusão de despesas depende das circunstâncias específicas da ação.
De forma geral, sim. O processo por erro odontológico tem estrutura semelhante ao processo por erro médico, e também pode envolver perícia técnica, custas judiciais e honorários advocatícios.
O prazo para entrar com processo por erro médico costuma ser de até 5 anos, contados a partir do momento em que a vítima teve conhecimento do dano. Esse prazo vale tanto para processar hospital por erro médico quanto para ações contra médicos ou dentistas.
Em casos mais antigos de erro médico, a análise dos documentos e provas pode apresentar maior complexidade. Por isso, é importante compreender que cada situação é avaliada individualmente pelo Judiciário, considerando todos os elementos disponíveis.
O tempo médio de duração de um processo por erro médico é de 3 a 5 anos, dependendo da complexidade do caso, da necessidade de perícia e da agilidade do Judiciário. Processos mais simples, como alguns casos de erro odontológico, podem ser concluídos mais rapidamente.
Sim. Se o erro ocorreu dentro da estrutura do hospital, é possível processar o hospital por erro médico por responsabilidade solidária ou subsidiária. A depender do caso, tanto o profissional quanto a instituição podem ser responsabilizados.
Sim. Se houve falha técnica, negligência ou imprudência em atendimentos odontológicos, você pode processar o dentista por erro. O processo por erro odontológico também pode gerar indenização por danos materiais, morais e estéticos.
Não há um valor fixo. O juiz considera fatores como a gravidade da sequela, impacto psicológico, despesas médicas e perda de qualidade de vida. Ou seja, o valor da indenização por erro médico varia conforme cada caso.
Nem todo erro médico é considerado crime. Dependendo da gravidade, ele pode se enquadrar em crimes como lesão corporal ou homicídio culposo. Em paralelo, situações envolvendo dano ao paciente podem ser analisadas no âmbito civil, e cada caso é avaliado individualmente pelo Judiciário, considerando provas e circunstâncias específicas.

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor de pós-graduação em Direito Médico e Hospitalar da USP de Ribeirão Preto, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife, professor do Curso de Especialização em Medicina Legal e Perícia Médica da Faculdade de Medicina da USP, presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".
ELTON FERNANDES SOCIEDADE DE ADVOGADOS
22.692.544/0001-02