Conteúdo atualizado em 28 outubro de 2026.
Um advogado para negativa de plano de saúde entra quando a via administrativa não resolve a recusa, quando a urgência do tratamento não comporta a espera pelos prazos da operadora e da ANS, ou quando a ação escolhida exige representação por advogado. Antes disso, o próprio beneficiário pode pedir a negativa por escrito, solicitar reanálise à Ouvidoria da operadora e registrar reclamação na ANS.
Quando o plano de saúde nega exame, cirurgia ou medicamento, a recusa pode comprometer o tratamento e gerar insegurança sobre como agir.
O papel do advogado é verificar se a recusa tem amparo na lei, no contrato e nas normas da ANS e, quando não tem, conduzir as medidas cabíveis na esfera administrativa ou judicial. O resultado de nenhuma dessas medidas pode ser antecipado: cada negativa depende do contrato, da prescrição e do regime vigente na data da recusa.
Confira, a seguir:
Foto: Drazen Zigc/Freepik
A negativa de cobertura do plano de saúde ocorre quando a operadora se recusa a custear um procedimento, exame, medicamento ou tratamento prescrito pelo médico.
As justificativas mais comuns incluem:
No entanto, essas justificativas nem sempre são legítimas.
A Lei nº 9.656/98, conhecida como Lei dos Planos de Saúde, obriga o plano-referência a cobrir o tratamento das doenças listadas na Classificação Internacional de Doenças (CID), respeitadas as exigências mínimas do art. 12 e as exclusões que a própria lei enumera no art. 10. Por isso, cada negativa é examinada contra três referências: o contrato, o rol da ANS e a lei.
Para tratamento que não consta do rol da ANS, o regime atual é o da ADI 7.265, julgada pelo Supremo Tribunal Federal em 18 de setembro de 2025, que exige cinco critérios cumulativos, listados na seção sobre tratamento fora do rol.
Foto: Drazen Zigic/Freepik
A via jurídica passa a fazer sentido em três situações: a negativa persiste depois do pedido de reanálise e da reclamação na ANS; a urgência clínica não comporta a espera pelos prazos administrativos; ou a recusa envolve questão que depende de prova técnica, como o tratamento fora do rol da ANS.
Em qualquer delas, o ponto de partida é a negativa por escrito, que a operadora é obrigada a entregar. O acesso ao Judiciário não depende de esgotar a via administrativa (Constituição Federal, art. 5º, XXXV), mas a reanálise e a NIP costumam resolver parte das recusas em poucos dias úteis e deixam registro da negativa.
O tipo de procedimento negado também orienta a análise:
A recusa de cobertura para exames, como PET-CT ou sequenciamento do exoma, é comum, especialmente quando o procedimento é considerado de alto custo ou não consta no rol da ANS. No entanto, quando há prescrição médica e o exame é necessário para diagnóstico ou tratamento de doença coberta, a negativa pode ser considerada abusiva. No Tribunal de Justiça de São Paulo, a Súmula 96 estabelece que, havendo expressa indicação médica de exames associados a enfermidade coberta pelo contrato, não prevalece a negativa de cobertura do procedimento.
Procedimentos cirúrgicos, inclusive por técnicas modernas como a videolaparoscopia ou cirurgia robótica, também podem ser negados com base em limitações contratuais ou no rol da ANS. Na negativa de cirurgia por técnica, a análise parte do relatório do cirurgião que justifica a escolha e do que o contrato e o rol da ANS preveem para o procedimento.
Em casos de urgência ou emergência, a negativa de cobertura é ainda mais grave, especialmente quando envolve internações. A Lei dos Planos de Saúde estabelece que, após 24 horas da adesão ao plano, a cobertura para situações de urgência ou emergência é obrigatória, independentemente de carências contratuais.
O prazo máximo de carência para esses casos é de 24 horas (Lei nº 9.656/98, art. 12, V, "c"). O art. 35-C da mesma lei define emergência como o caso que implica risco imediato de vida ou de lesão irreparável, declarado pelo médico assistente, e urgência como o caso resultante de acidente pessoal ou de complicação no processo gestacional.
Nesses casos, a operadora deve responder de imediato, e a espera pela via administrativa costuma ser incompatível com o quadro clínico. É o cenário em que o pedido de tutela de urgência ao Judiciário aparece com mais frequência.
Aumento de mensalidade e cancelamento do contrato seguem regras próprias, como as do reajuste abusivo do plano de saúde, e ficam fora do escopo desta página.
Registrar tudo desde a primeira recusa tem efeito prático: os prazos da operadora, da Ouvidoria e da ANS correm a partir do protocolo, e o pedido judicial de urgência é examinado com base nesses registros.
A reanálise pela Ouvidoria e a reclamação na ANS não exigem advogado: o próprio beneficiário, ou quem o represente, faz o pedido. A RN 623/2024 da ANS proíbe a operadora de exigir formalidades para a reanálise.
Na via judicial, a regra depende do caminho escolhido:
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Situação |
Advogado é obrigatório? |
Base legal |
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Reanálise pela Ouvidoria da operadora |
Não |
RN 623/2024 da ANS, art. 16 |
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Reclamação na ANS (NIP) |
Não |
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Juizado Especial Cível, causa de até 20 salários mínimos |
Não, a parte pode comparecer pessoalmente |
Lei nº 9.099/95, art. 9º |
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Juizado Especial Cível, causa acima de 20 e até 40 salários mínimos |
Sim |
Lei nº 9.099/95, arts. 3º, I, e 9º |
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Recurso contra a sentença do Juizado |
Sim |
Lei nº 9.099/95, art. 41, § 2º |
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Ação na Justiça comum (vara cível) |
Sim |
Código de Processo Civil, art. 103 |
Quem não tem condições de pagar advogado tem direito à assistência jurídica integral e gratuita prestada pelo Estado (Constituição Federal, art. 5º, LXXIV), por meio da Defensoria Pública (art. 134).
No Juizado Especial, o primeiro grau não tem custas (Lei nº 9.099/95, art. 54). As custas da ação contra o plano de saúde na Justiça comum seguem outras regras, inclusive a da gratuidade da justiça para quem não pode pagá-las.
O trabalho do advogado começa pela leitura de três documentos, a negativa escrita, o contrato e o relatório médico, e pela pergunta sobre qual regime se aplica à data da recusa. A partir daí, as atividades se dividem entre a via administrativa e a judicial.
Esse tipo de atuação pode envolver:
A análise jurídica leva em consideração normas da ANS e o entendimento dos tribunais sobre o tema.
A sequência que preserva todas as opções é: negativa por escrito, documentos médicos, reanálise na Ouvidoria e reclamação na ANS; a via judicial vem em seguida ou, havendo urgência, em paralelo.
Se o plano de saúde negou cobertura, algumas medidas podem ser adotadas para avaliar e buscar os direitos do paciente:
A RN 623/2024 obriga a operadora a dar resposta conclusiva, autorizando ou negando o pedido, dentro de prazos fixos, e proíbe respostas genéricas como "em análise" ou "em auditoria".
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Pedido |
Prazo de resposta |
Norma |
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Urgência e emergência |
Imediato |
RN 623/2024, art. 12, I |
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Procedimento ou serviço de cobertura assistencial, regra geral |
Até 5 dias úteis |
RN 623/2024, art. 12 |
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Alta complexidade e internação eletiva |
Até 10 dias úteis |
RN 623/2024, art. 12 |
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Pedido não assistencial (contrato, mensalidade, reajuste) |
Até 7 dias úteis |
RN 623/2024 |
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Reanálise pela Ouvidoria |
Até 7 dias úteis |
RN 623/2024, art. 16, § 1º, III |
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NIP na ANS, demanda assistencial |
5 dias úteis para a operadora resolver |
ANS |
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NIP na ANS, demanda não assistencial |
10 dias úteis para a operadora resolver |
ANS |
Os prazos de resposta não alteram os prazos máximos para a realização do atendimento, que seguem a RN 566/2022 (prazos máximos de atendimento da ANS), conforme o FAQ oficial da ANS sobre a RN 623/2024.
Desde 18 de setembro de 2025, a cobertura de tratamento que não consta do rol da ANS depende de cinco critérios cumulativos fixados pelo STF na ADI 7.265. A decisão teve relatoria do ministro Luís Roberto Barroso e está resumida no comunicado oficial do STF.
Esse regime substituiu os dois critérios alternativos da Lei nº 14.454/2022, que alterou a Lei 9.656/98 e definiu o rol da ANS como referência básica da cobertura. O regime aplicável depende da data da negativa:
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Data da negativa de cobertura |
Regime aplicável |
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Até 20 de setembro de 2022 |
Regime anterior à Lei nº 14.454/2022, com o rol interpretado pela jurisprudência do STJ |
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De 21 de setembro de 2022 a 17 de setembro de 2025 |
Lei nº 14.454/2022, com dois critérios alternativos |
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A partir de 18 de setembro de 2025 |
ADI 7.265, com os cinco critérios cumulativos |
A liminar contra negativa do plano de saúde é uma medida judicial utilizada, especialmente em situações de urgência. Trata-se de uma decisão provisória que pode determinar à operadora a cobertura do procedimento antes do julgamento final do processo, desde que presentes os requisitos legais.
Pelo art. 300 do Código de Processo Civil, a tutela de urgência depende de dois elementos:
O prazo para análise do pedido pode variar conforme o caso e o juízo responsável, podendo ocorrer de forma mais célere em razão da natureza da demanda. A avaliação jurídica adequada do caso e a apresentação dos documentos médicos são fatores relevantes para a análise do pedido pelo Poder Judiciário.
A liminar é provisória: pode ser confirmada, modificada ou revogada na sentença. Quando a liminar contra negativa de cobertura é indeferida, cabe agravo de instrumento ao tribunal (Código de Processo Civil, art. 1.015, I).
A Lei dos Planos de Saúde e o Código de Defesa do Consumidor oferecem proteção aos beneficiários. O CDC se aplica aos planos de saúde, salvo os de autogestão (Súmula 608 do STJ), e considera nulas as cláusulas que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada (Código de Defesa do Consumidor, art. 51, IV).Algumas garantias importantes incluem:
Na via administrativa, não: a reanálise pela Ouvidoria da operadora e a reclamação na ANS são feitas pelo próprio beneficiário. Na Justiça, o advogado é dispensável no Juizado Especial Cível em causas de até 20 salários mínimos e obrigatório acima desse valor, no recurso contra a sentença do Juizado e na Justiça comum. Quem não pode pagar tem direito à assistência gratuita da Defensoria Pública.
Sim. Pela RN 623/2024 da ANS, toda negativa é reduzida a termo, independentemente de pedido do beneficiário, com o motivo e a cláusula contratual ou o dispositivo legal que a justifica, em formato que permita download.
A resposta é imediata em urgência e emergência, de até 5 dias úteis como regra geral e de até 10 dias úteis para alta complexidade e internação eletiva, segundo a RN 623/2024. A reanálise pela Ouvidoria tem até 7 dias úteis.
Não. A NIP é um procedimento de mediação: a ANS notifica a operadora, que tem 5 dias úteis para resolver a demanda de cobertura. Se a recusa continuar, a via judicial segue disponível, e o registro da reclamação documenta a negativa.
Para negativas a partir de 18 de setembro de 2025, a cobertura fora do rol depende de cinco critérios cumulativos fixados pelo STF na ADI 7.265: prescrição do médico ou odontólogo assistente, ausência de negativa expressa ou de análise pendente na ANS, falta de alternativa adequada no rol, comprovação científica de eficácia e segurança e registro na Anvisa. Sem um deles, a operadora não é obrigada a cobrir.
Depois de 24 horas da contratação, não. A Lei nº 9.656/98 fixa em 24 horas o prazo máximo de carência para urgência e emergência (art. 12, V, "c"), e a Súmula 103 do TJSP considera abusiva a negativa baseada em carência maior.
O ressarcimento pode ser pedido à operadora e, se recusado, discutido judicialmente, com os comprovantes de pagamento, a negativa escrita e o relatório médico. O dano moral depende das circunstâncias de cada caso e não decorre automaticamente da negativa.

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor convidado de pós-graduação da USP, da USP de Ribeirão Preto, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife. É presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".
ELTON FERNANDES SOCIEDADE DE ADVOGADOS
22.692.544/0001-02